Monday, April 2, 2007

Rajasthan

Saímos de Agra ao fim do dia num autocarro com lugares cama, em direcção a Pushkar, a primeira cidade visitada no Estado do Rajasthan. Chegámos bem cedinho, ainda não eram 8. Instalámo-nos e saímos à procura da cidade… Pushkar desenvolve-se à volta de um lago de águas sagradas, utilizadas para rezas e meditações.


Numa curiosidade de espreitar entre as lojas e os templos que contornam o lago para o ver fomos imediatamente sugadas para uma experiência religiosa, sem darmos por isso estávamos a pregar em hindu à felicidade, esperança e tantas que tais, lavando as mãos e a cara para purificar a alma. Com uma pinta na testa de confirmação das orações do dia e 10 rupias a menos seguimos caminho. Mesmo a religião é negócio, já nos tinha avisado o Lonely Planet. Além do comercio e do turismo de pouco mais vive a cidade. Respira-se tranquilidade, foge-se ao conceito anárquico das cidades grandes da Índia, e almoça-se com água na vista, que saudade…


Na Guest House perguntávamos a melhor maneira de seguir para Jodhpur, a paragem seguinte no estado do deserto, e ainda antes de decidirmos a hora exacta de partida, já um deles tinha saído para nos comprar os bilhetes. Seguimos viagem no dia seguinte no autocarro das 7h, com um Rickshaw preparado para nos levar à paragem e um cartão na mão da Guest House em Jodhpur. Foi aqui que nos apercebemos que entrámos na “rede”. O primeiro local escolhido no Rajastahn condicionou-nos imediatamente todos os outros.
A ânsia de servir bem está incutida em todos os nativos do Rajasthan, o hóspede é Deus e é tratado como tal. A preocupação com o nosso bem estar é constante e um pedido nosso nunca é impossível, se não têm de momento, encontram em 5 minutos. A visão para o negócio, a vontade de crescer e de fazer dinheiro estão intrínsecas em todos os indianos e o povo do Rajasthan, pela escassez de recursos normal de um estado desértico, investe no turismo pela certeza de lucros que daqui advêm.

À chegada ao destino, depois de 5 horas de camioneta, sob o calor seco e árido do deserto, num lugar sentado em que só a posição dos dois ângulos rectos era possível e onde em muitos momentos o número de pessoas era bem maior que o número de lugares sentados, tínhamos um simpático Rickshaw a perguntar pelas Portuguesas. Sim, somos nós… Mais uma vez a nossa vida já estava destinada por eles. Na cidade Azul a preferência assentou numa tarde de convívio no terraço da Guest House, com mais três amigos feitos na longa e dura viagem até aqui e com os próprios donos do hotel. Cerveja aqui, Chapati ali, acabámos por, mais uma vez nas mãos do agente da rede, marcar os nossos próximos passos, um safari no deserto a Camelo. Outra hipótese de planos era impensável. “Partem amanhã no autocarro das 11h da manhã, e eu estarei no destino com um Jeep à vossa espera”. Tudo tratado.
E a cidade azul, onde está? Diz a história, ou a lenda, que um Rei do passado para impressionar um ilustre convidado mandou pintar todas as casas de azul, a cor quente do céu. Enquanto a monarquia reinou o azul ficou. Hoje, em tempos de liberdade, muitos fogem à cor imposta…


Jaisalmer, a cidade de ouro, construída com pedra de areia, dentro e fora das muralhas, era o nosso próximo destino. Mais um autocarro sem A/c, onde as 5 horas previstas de viagem passam para 7h, como já vinha sendo hábito, chegamos finalmente! O mesmo Jeep que nos esperava à chegada, leva-nos no dia seguinte de manhã para o deserto, ao encontro dos camelos.

Protector solar, uma garrafa de água, rédeas na mão, fazemo-nos ao deserto. O passo do camelo é lento, o trote é muito incómodo, o galope pouco existe e não dá confiança, mas passados 10 minutos o sofrimento passa a conforto imposto, por não haver opção, e siga deserto a dentro. Após grande caminhada, intervalada com pequenas paragens de recuperação de forças, e de almoço, chegamos às verdadeiras dunas do deserto. Tal como prometido no programa inicial, tivemos direito a um magnífico pôr do sol atrás das montanhas de areia. À noite, depois de mais uma refeição de vegetais com arroz totalmente insonsos, onde o Chapati, com a ajuda das mãos, faz de garfo, consolamo-nos com uma animada cantoria proporcionada pelo staff do Camel Safari, os garrafões de água são instrumento, e ao som dos seus cantos indianos, dançam e chamam-nos para dançar à volta da fogueira. Uma noite animada, antes da dormida ao luar…
Com o nascer do sol levanta-se o acampamento aparelham-se os camelos e regressa-se a casa ao fim do dia.

Uma experiência diferente.


Até logo

12 comments:

lee said...

:)

Achava eu que a cidade azul era o PORTO...Que engano!
...belas histórias para contar aos netos e afins...
Continuo a achar que de todas as viagens a melhor é sempre a de regresso a casa...(mesmo que dure meses)

mts bjs azuis

tconstança said...

Rita
adorei o ultimo comentário com as fotos que coisas tão bonitas, só que a gente não vê o pó e as moscas...
mandem muitas fotos
bjs tconstança
faz favor de não pensar que está na madragoa

tconstança said...

Rita
E a baba de camelo? sempre existe?
tconstança

Mary said...

UAU!
uma noite ao relento em pleno deserto!!! que heroínas! aposto que a sensação é indescritível, mas quase que me senti lá tb graças a estes relatos!!
mtos bjs desta "turista virtual"...hanging on your every word :)

Anonymous said...

Ritinha,espero sinceramente que tenhas incluido na bagagem um creme de massagens!!

MRA said...

Parecia que te estava a ouvir contar uma história... a ouvir a tua voz e os teus habituais comentários... que bom

Anonymous said...

Hello

Acabei de chegar da India e fiz um pouco a mesma volta que a Rita, infelizmente andámos desencontrados!
A minha experiência do deserto foi um pouco diferente, em termos de gastronomia, pois dada a nossa (2 "tugas", 2 irlandeses e um canadiano) fome por carne (já sonhávamos com um bife à 2 semanas), decidimos comprar uma cabra a um pastor de uma das aldeias de passagem e, com a ajuda dos incansáveis condutores de camelos, fizemos uma matança (um pouco bárbara), mas seguida de um magnifico churrasco ao luar no deserto... simplesmente espetacular!!

bjs e continuação de boa viagem

Anonymous said...

Ritinha
manda a receita do chapati, queremos sentir que tb estamos aí, fantastico o deserto, mas os camelos.... experiencia única, gosteiimenso da foto da cidade azul , lindo........
Bjs tia conceição

Anonymous said...

hello!!!
Bom... fantastico... de facto, só com os teus relatos dá vontade de fazer as malas agora e ir ter contigo!! Mas adiante.... inveja é um sentimento muito feio;);)!! Ah uma novidade minha... PINTEI o cabelo!!.. não te preocupes que não tou loira, nem ruiva nem azulada nem nada dessas coisas.. tou apenas com menos brancos! Bom.. vai dando noticias!!! e uma santa "Pascoa" por ai!!! mtos beijinhos Catia (ligada)!

Anonymous said...

Olá Rita
Sou amiga da sua Mãe. Vou viver para Delhi. Parto amanhã 6ª Feira Santa. Caso precise de alguma coisa disponha. O meu marido vai trabalhar na Embaixada. Através de lá ou directamente para mim ligue se passar outra vez por Delhi. O m/ nº é da rede tmn portuguesa - 963827130. Só quando chegar aí é que arranjo um da rede local.
Gostaria imenso de a conhecer
Zézinha Chaves Ramos

Anonymous said...

Ritinha, acho que lá vou eu aparecer como "anonymous said"...
Ora, vês o nome no fim!
Não vou comentar os sítios e as experiências - uns gostam, outros menos (para mim a India é igual a montes de gente, porcaria e moscas...).
Estou é completamente banzado com a tua capacidade de transmitir observações, sentimentos e experiências humanas. Dom precioso!
Beijinhos e obrigado por partilhares a experiência.
Gonçalo LF

RSF said...

ritinha, desculpa a ausência...e continua a pôr em comum please!
Bj grande
Rita SF